A inclusão dos estudantes com transtorno do espectro autista na educação básica:Limites,desafios e perspectivas a partir da formação docente
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Resumo
A pesquisa analisa a preparação, a formação e as condições de atuação dos professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) no atendimento a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em instituições públicas de Bambuí/MG, incluindo o ensino regular e o TELECENTRO João Apolinário de Oliveira. Também investiga como a educação inclusiva e o TEA são abordados na formação inicial oferecida pelo curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do IFMG – Campus Bambuí. O estudo fundamenta-se nos princípios da Educação Inclusiva e na legislação brasileira vigente, adotando uma abordagem qualitativa, de caráter descritivo. Foram aplicados questionários aos professores do AEE e realizada análise documental do Projeto Pedagógico do Curso de Ciências Biológicas. Os resultados indicam que os professores do AEE possuem formações diversificadas, predominantemente em Pedagogia, complementadas por pós-graduações e cursos voltados à Educação Especial e ao TEA. Observa-se compromisso profissional e utilização de práticas inclusivas, como adaptações curriculares, recursos visuais, tecnologias assistivas e atendimento individualizado. Entretanto, evidenciam-se limitações na oferta de formação continuada por parte do poder público, levando muitos docentes a buscarem capacitações com recursos próprios, o que contribui para sobrecarga profissional. Também foram identificadas fragilidades na articulação intersetorial entre educação, saúde e assistência social, comprometendo a efetividade das ações inclusivas. No contexto escolar, destacam-se desafios relacionados à adequação do ambiente físico, especialmente quanto à organização dos espaços, à redução de estímulos sensoriais e à criação de ambientes que favoreçam a regulação emocional, aspectos essenciais para a aprendizagem e o bem-estar de estudantes com TEA. A análise da formação inicial em Ciências Biológicas revelou que, embora o currículo contemple disciplinas voltadas à diversidade e às tecnologias educacionais, ainda há lacunas no aprofundamento específico sobre TEA, AEE e práticas inclusivas no ensino de Ciências. Conclui-se que a efetivação da inclusão escolar de estudantes com TEA exige o fortalecimento da formação inicial e continuada dos professores, maior integração entre profissionais do ensino regular e do AEE, investimentos em políticas públicas intersetoriais e melhorias nas condições estruturais das escolas, visando à promoção de uma educação pública inclusiva e de qualidade social.
