Fazendinha Dona Izabel: gestão cultural e patrimônio em comunidades negras e periféricas
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Resumo
A Fazendinha Dona Izabel está localizada na Barragem Santa Lúcia, em Belo Horizonte-MG, e foi tombada em 1992, a pedido de moradoras/es; tornando-se símbolo de uma iniciativa inédita até então: o reconhecimento de um bem situado numa comunidade de favelas como patrimônio da cidade. Construído entre fins do século XIX e início do XX, o imóvel é documento-testemunho das experiências de africanas(os) e seus descendentes, majoritariamente livres, que inscreveram suas vivências naquelas terras bem antes de 1888. Ele testemunha ainda a formação da comunidade, a partir da chegada de famílias negras que, no Pós-Abolição – especialmente no advento da construção da Nova Capital –, migraram do interior do estado de Minas Gerais e de outras regiões do país. Partindo da análise dos processos de patrimonialização e do recente restauro de uma edificação localizada em uma das primeiras favelas da capital mineira, o artigo propõe à discussão a relação entre comunidade e poderes governamentais envolvidos na promoção de políticas públicas de memória, com atenção à especificidade dos desafios epistemológicos e de gestão de patrimônios configurados a partir de experiências negras no território.