Qualidade da água em rios urbanos de Ouro Preto, MG
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Resumo
Este estudo investigou a inter-relação entre as características físicas e a condição ambiental dos cursos d’água urbanos na bacia do Rio do Carmo, em Ouro Preto/MG. A pesquisa quantificou a dinâmica de escoamento de 189 canais através da análise de parâmetros morfométricos lineares (relação de bifurcação, comprimento do canal, extensão do percurso superficial, gradiente de canais), areais (área da bacia, comprimento da bacia, forma da bacia, densidade de rios e de drenagem, coeficiente de manutenção) e de relevo (relação de relevo, índice de rugosidade, índice de sinuosidade), fundamentais para caracterizar o comportamento hidrológico regional (CHRISTOFOLETTI, 1980; CHEREM, 2008). Complementarmente, foram elaborados perfis longitudinais integrados à análise de litologia, correlacionando as rupturas de declive (knickpoints) com a resistência das formações geológicas locais. Para avaliar a qualidade da água, utilizou-se o Índice de Qualidade da Água (IQA) a partir de uma campanha de amostragem em quatro pontos selecionados pela hierarquia de Strahler e o gradiente de ocupação urbana. As coletas ocorreram após um evento de precipitação para capturar o impacto do escoamento superficial sobre os parâmetros de turbidez, pH, condutividade, temperatura e coliformes. Os resultados demonstram que a rede de drenagem é fortemente condicionada pela litologia resistente e pelas altas declividades, resultando em resposta hidrológica rápida e alto potencial de transporte de sedimentos. A análise de campo revelou que a precipitação atuou de forma ambígua: enquanto promoveu a diluição de E. coli em pontos de lançamento direto, elevou criticamente a turbidez devido ao carreamento de material particulado das superfícies urbanas. O monitoramento confirmou o agravamento dos índices de contaminação a jusante, evidenciando o efeito cumulativo da degradação antrópica. Conclui-se que a vulnerabilidade dos sistemas fluviais em Ouro Preto é potencializada pela combinação de fatores geológicos naturais e carência de infraestrutura de saneamento, demandando estratégias integradas de gestão hídrica.
