Pertencimento ou não: Uma Leitura da Espacialidade do IFMG - campus Ouro Preto a Partir do Corpo Feminino
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Resumo
Esta pesquisa investiga as experiências de não pertencimento vivenciadas por mulheres no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais – Campus Ouro Preto (IFMG-OP), evidenciando como as violências de gênero, os processos de docilização dos corpos e o estranhamento espacial operam sob a perspectiva das relações entre poder, espaço e dominação patriarcal. Fundamentada no feminismo decolonial e na perspectiva crítico-fenomenológica, a investigação busca compreender como a estrutura histórica e institucional da educação técnica reproduz e perpetua padrões de exclusão que incidem de forma específica sobre corpos femininos atravessados por marcadores de raça, classe, geração e sexualidade. A metodologia é de natureza qualitativa, estruturada em três eixos: entrevistas semiestruturadas realizadas com 17 estudantes mulheres, distribuídas entre o ensino médio integrado e o ensino superior; observação participante; e pesquisa documental e bibliográfica. A análise das narrativas revelou cinco dimensões fundamentais do não pertencimento: vigilância corporal constante, jornadas múltiplas e temporalidade exaustiva, patriarcado sofisticado, silenciamento institucional e resistências cotidianas. Os resultados confirmam que o IFMG-OP foi historicamente construído para formar mão de obra masculina em áreas técnicas, e que essa tradição continua operando, de forma mais sutil, nas estruturas físicas, pedagógicas e relacionais da instituição. Ao mesmo tempo, a pesquisa evidencia a potência transformadora dos coletivos feministas e das redes informais de solidariedade como estratégias fundamentais de permanência, empoderamento e resistência decolonial.
