Um estudo crítico do modelo APAC a partir da unidade de Guanhães (MG)

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Este trabalho analisa criticamente a experiência da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) a partir da unidade de Guanhães (MG), discutindo seus limites, potencialidades e contradições enquanto alternativa ao sistema prisional comum. Partindo de uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e crítico, realiza-se um estudo de caso que triangula três estratégias: (i) questionário estruturado aplicado a 34 participantes (recuperandos, funcionários, professores e voluntários); (ii) análise documental (manuais, regulamentos e relatórios institucionais); e (iii) observação direta registrada em diário de campo ao longo de seis meses. O referencial teórico dialoga com autores que discutem punição, ressocialização e controle social, problematizando a promessa de humanização da pena à luz de limites materiais e institucionais. Os resultados indicam reconhecimento majoritário de que a unidade administra relativamente bem seus desafios e de que espiritualidade, trabalho e estudo contribuem para a rotina e para processos de reconstrução subjetiva. Por outro lado, emergem tensões importantes: insuficiência de recursos financeiros, materiais e humanos; dependência de parcerias; preconceito social; e apoio estatal instável. A adesão ao discurso de ressocialização aparece também como requisito de permanência e progressão, evidenciando mecanismos de controle moral e disciplinar. Conclui-se que o método APAC, embora proporcione condições mais dignas de cumprimento de pena em comparação ao cárcere tradicional, opera dentro dos limites do próprio sistema penal, demandando políticas públicas estruturantes, financiamento estável e redes de acolhimento ao egresso para que seus efeitos sejam duradouros.


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