Determinação das unidades diferenciadas de gestão por meio dos atributos físico-hídricos e componentes espectrais, aplicado à cafeicultura
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Resumo
A cafeicultura de precisão demanda o entendimento da variabilidade espacial e temporal das lavouras para otimizar o manejo e garantir a sustentabilidade produtiva. O presente trabalho teve como objetivo delimitar Unidades de Gestão Diferenciada (UGDs) em uma lavoura cafeeira, utilizando a integração de atributos físico-hídricos do solo e componentes espectrais. O estudo foi conduzido no Campus do IFMG em São João Evangelista, avaliando as safras de 2022 e 2024. A metodologia consistiu na coleta georreferenciada de dados de Resistência do Solo à Penetração (RSP) nas camadas de 0-25 cm e 25-50 cm, Capacidade de Campo (CC), levantamento topográfico (altitude) e monitoramento da incidência de Bicho-Mineiro (Leucoptera coffeella) e enfolhamento. Foram aplicadas técnicas de geoestatística para modelagem da dependência espacial e algoritmos de agrupamento (cluster) para a definição das zonas de manejo. Os resultados indicaram que a distribuição do Bicho-Mineiro variou conforme a disponibilidade de tecido foliar, apresentando padrão contínuo (drift) em 2022 (alcance de 5.688 m) e fragmentado em 2024 (alcance de 75 m). A análise de agrupamento definiu quatro UGDs distintas: a UGD 1 caracterizou-se pela limitação hidrológica (menor CC); a UGD 2, situada em maiores altitudes e com menores índices de compactação, destacou-se pelo vigor vegetativo, atuando, contudo, como refúgio ecológico para pragas em anos de estresse; a UGD 3 apresentou a maior retenção hídrica, mas com ruído espectral devido a plantas daninhas; e a UGD 4 evidenciou maiores níveis de RSP em profundidade. Conclui-se que a abordagem multivariada permitiu segregar a lavoura em unidades com potencial produtivo e restrições distintas, validando o uso de sensoriamento remoto e atributos físicos do solo como ferramentas complementares para a tomada de decisão agronômica.
