Literatura infantil e ativismo negro: um olhar sobre a obra de Nilma Lino Gomes

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Este artigo insere-se na área da educação para as relações étnico-raciais, com interface nos estudos de literatura infantil negro-brasileira e no ativismo de mulheres negras. Tem como objetivo analisar as convergências e divergências entre o discurso teórico e o discurso literário presentes na produção de Nilma Lino Gomes, investigando de que modo temas como identidade negra, cabelo, ancestralidade e ativismo são construídos em diferentes gêneros textuais. O corpus da pesquisa é constituído por duas obras da autora: o livro infantil “Betina" (2009) e a tese de doutorado "Sem perder a raiz: corpo e cabelo como símbolos da identidade negra" (2020). A pesquisa é de natureza qualitativa, desenvolvida em três etapas: revisão teórica sobre literatura negro-brasileira, literatura como direito humano e ativismo de mulheres negras; definição do corpus; e realização de análise de conteúdo, buscando compreender os sentidos e significados produzidos nos textos. Os resultados indicam que, embora ambas as obras dialoguem a partir de categorias comuns, especialmente cabelo, ancestralidade e identidade, cada uma cumpre funções distintas. A tese apresenta relatos marcados por dor, conflito e resistência na construção da identidade negra, enquanto o livro infantil recorre à fabulação para produzir narrativas afirmativas e afetivas, voltadas ao fortalecimento da autoestima de crianças negras. Conclui-se que a literatura infantil produzida por ativistas negras, longe de comprometer a qualidade literária, enriquece a narrativa, constituindo-se como instrumento político-pedagógico de enfrentamento ao racismo e de construção de memórias coletivas positivas sobre a população negra desde a infância.


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