Geografia Física em escal local: o potencial das pequenas áreas úmidas na educação básica voltado para o ensino do ciclo hidrológico e monitoramento do nível freático
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Resumo
O ensino de Geografia Física na educação básica é fundamental para compreender o ciclo hidrológico. Contudo as fragmentações de conteúdos enfraquecem a compreensão integrada a partir do currículo previsto pela BNCC. As Áreas Úmidas (AUs) são caracterizadas pela acumulação e circulação de água em diferentes configurações do relevo. As pequenas AUs enfrentam intensos impactos antrópicos e muitas escolas estão localizadas inseridas ou próximas a estes ambientes. No entanto, a ausência de abordagens didáticas sobre essas áreas contribui para a marginalização da sua importância. Compreendendo os limites e as potencialidades do ensino sobre as AUs e nível freático (NF), esta pesquisa possui uma abordagem mista, envolvendo procedimentos bibliográficos, documentais e experimentais sendo estruturados em quatro etapas. A primeira consistiu na análise documental para identificar como os temas “áreas úmidas” e “lençol freático” são abordados. A segunda focou na análise da produção científica nacional, sobre AUs e NF, com foco hidrogeomorfológico e educacional. A terceira etapa teve como objetivo a aplicação de varetas posicionadas de modo transversal em uma área úmida para monitoramento do NF. Por último, o produto técnico, consistiu no desenvolvimento de uma cartilha, destinada a estudantes do ensino básico. Os resultados da análise documental, evidenciam uma abordagem fragmentada e superficial da temática da água, com ênfase utilitarista e frágil articulação interdisciplinar. Na produção científica, foram identificadas e analisadas 14 teses e dissertações entre 1994 e 2024. Foram identificados dois eixos: a educação formal, focada na inserção das AUs no currículo escolar, e a educação não formal, associada à valorização dos saberes tradicionais e à educação ambiental comunitária. Os resultados do monitoramento das varetas indicam a possibilidade de compreender o comportamento do NF, evidenciando suas variações espaciais e temporais, a partir da observação direta. Por último, a cartilha, construída de forma a contribuir com o ensino da geografia física no contexto escolar e na percepção dos alunos sobre os fenômenos naturais, constitui-se um produto técnico que oferece estratégias didáticas na abordagem das temáticas AUs e NF de forma integrada.
