Análise crítica do plano de instrumentação de UHE Risoleta Neves antes e após o acidente com a Barragem de Fundão em Mariana, MG

Resumo

A segurança de barragens tornou-se um tema de elevada repercussão no Brasil, impulsionado por desastres recentes de grande magnitude, como os rompimentos de Fundão (2015) e Brumadinho (2019), ambos no estado de Minas Gerais. Este trabalho aborda a importância da instrumentação de auscultação civil na prevenção de riscos, focando em um estudo de caso de alta complexidade técnica: a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves. Após o rompimento da Barragem de Fundão, a UHE Risoleta Neves foi diretamente atingida pela onda de rejeitos, o que impôs condições operacionais e estruturais não previstas em projeto. Diante da lacuna na literatura sobre a avaliação de estruturas hidrelétricas impactadas de forma indireta, o objetivo geral deste trabalho foi realizar uma análise crítica do plano de instrumentação da UHE Risoleta Neves utilizando dados secundários, comparando os cenários anterior e posterior ao desastre de 2015. A metodologia adotada consistiu em um estudo de caso aplicado, de abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, baseado exclusivamente em análise documental de dados secundários obtidos em relatórios técnicos, artigos científicos (como Carvalho et al., 2023), Planos de Segurança da Barragem (PSB) e normativas de órgãos reguladores. Ressalta-se que os dados de instrumentação analisados, referentes a piezômetros e extensômetros, foram integralmente extraídos dessas fontes documentais, não sendo oriundos de medições diretas realizadas pela autora. Esses dados foram organizados em quatro fases operacionais distintas: Fase I (Estabilização Inicial, 2004–2005), Fase II (Operação Comercial Estável, 2005–2015), Fase III (Impacto do Rompimento, 2015) e Fase IV (Período de Assoreamento, 2015–2022). Os resultados demonstraram que o sistema de instrumentação original era robusto, capturando o comportamento esperado nas Fases I e II. Na Fase III, por sua vez, os instrumentos mostraram notável sensibilidade, registrando uma inversão da tendência cinemática e uma resposta piezométrica imediata ao rebaixamento abrupto do reservatório, validando a funcionalidade do sistema em um evento extremo. Já na Fase IV, o monitoramento foi essencial para garantir a segurança da estrutura sob o novo carregamento de sedimento, mantendo as leituras abaixo dos níveis de alerta mesmo durante cheias. O estudo mapeou a significativa complementação da instrumentação e concluiu que essas mudanças foram tecnicamente justificadas e eficazes, permitindo a gestão segura de um cenário inédito e o eventual reenchimento do reservatório. Este trabalho demonstra que a instrumentação de auscultação foi a ferramenta primordial que permitiu a gestão segura da barragem, constituindo um caso de aprendizado fundamental para a engenharia de barragens no Brasil.


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