Propagação de erros hipsométricos: como a escolha do modelo compromete a precisão do fator de forma em eucalipto
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Resumo
Investigações científicas sobre modelagem hipsométrica tradicionalmente avaliam seu desempenho por meio de métricas globais de ajuste. Contudo, ainda persiste uma lacuna quanto à quantificação da propagação de erros na estimativa de altura para o fator de forma, parâmetro biométrico essencial na estimativa volumétrica individual. Além disso, a influência da modelagem hipsométrica, e consequentemente da forma dos fustes, em diferentes espaçamentos de plantio ainda não é plenamente compreendida. Este estudo objetivou avaliar a influência da modelagem hipsométrica na estimativa do fator de forma em quatro espaçamentos de eucalipto. O estudo foi conduzido em Itamarandiba–MG, em povoamentos estabelecidos com um único clone híbrido de Eucalyptus grandis × Eucalyptus camaldulensis, aos 101 meses de idade. Foram cubados rigorosamente 160 fustes, distribuídos aleatoriamente em diferentes classes diamétricas nos espaçamentos 3,0 × 0,5 m, 3,0 × 1,0 m, 3,0 × 1,5 m e 3,0 × 2,0 m. O volume foi obtido pelo método de Smalian, e o fator de forma determinado pela razão entre o volume real do fuste e o volume do cilindro de referência, calculado a partir da área seccional ao nível do DAP e da altura total. Para a estimativa da altura, ajustaram-se oito modelos hipsométricos (cinco lineares e três não lineares), avaliando-se o desempenho preditivo, o atendimento às premissas estatísticas e o impacto das alturas estimadas sobre a média e a variabilidade do fator de forma. O fator de forma médio permaneceu estável entre espaçamentos (0,4653 ± 0,0387), embora o volume individual tenha aumentado com a ampliação da área útil por planta. Entretanto, sua variabilidade individual mostrou alta sensibilidade ao modelo escolhido. Modelos lineares violaram premissas estatísticas e aumentaram a dispersão das estimativas, sobretudo no espaçamento intermediário (3,0 × 1,5 m). Já os modelos não lineares, particularmente o Logístico, apresentaram desempenho preditivo superior, com menores erros, maior estabilidade dos parâmetros e melhor capacidade de preservar a distribuição estatística do fator de forma, evidenciando maior robustez na relação altura–diâmetro. A escolha de um modelo hipsométrico robusto e acurado mostrou-se tão importante quanto a cubagem do fuste para o cálculo do fator de forma de referência. A análise detalhada da relação entre modelagem, altura e fator de forma em diferentes densidades de plantio fornece subsídios para maior precisão nas estimativas volumétricas em povoamentos de eucalipto.
