Das aldeias às cidades: Análise de expressões identitárias indígenas na área central de Belo Horizonte - Minas Gerais, a partir dos prismas do território
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Resumo
O presente trabalho busca olhar para a cidade a partir dos significados que os povos indígenas conferem ao território e a partir das presenças das expressões identitárias desses povos. Isso, a partir da análise de expressões identitárias presentes no hipercentro de Belo Horizonte - Minas Gerais que possuem vínculos com determinados povos indígenas. Obviamente que este trabalho não possui pretensão de propor um consenso sobre o que é território para os povos indígenas, nem mesmo busca estabelecer um novo conceito que dê fim à toda discussão em torno desse termo. Tendo isso em vista, a pesquisa recorre a estudiosos e artistas indígenas, tal como Gersem Baniwa (2006), Célia Xakriabá (2019) e Denilson Baniwa (2020), visando a qualidade da aproximação ao conceito. A partir disso, pretende-se ocupar uma lacuna no campo da Arquitetura e Urbanismo sobre o estudo do território urbano, a partir das expressões identitárias vinculadas aos saberes dos povos indígenas. Para efetivar a pesquisa, foram adotados os seguintes métodos: pesquisa bibliográfica; pesquisa documental; e pesquisa de campo exploratória, com foco na busca por apreender as vivências e as experiências daqueles que realmente habitam os territórios estudados, e, principalmente, na visão qualitativa de representantes dos povos indígenas em contexto de urbano. Dessa forma, foi possível uma aproximação à expressões identitárias como a exposição de arte e artesanato indígena e imigrante Abya Yala, os eventos da Semana Municipal dos Povos Indígenas e murais impressos na cidade por artistas como Daiara Tukano, Sueli Maxakali e o Coletivo Mahku. Após a revisão bibliográfica e o trabalho de campo, foi possível compreender os tensionamentos e as camadas que conformam o hipercentro de Belo Horizonte também como um território indígena. Além disso, compreendeu-se que a presença das expressões identitárias dos povos indígenas na cidade configuram agora este espaço enquanto território de retomada. Ressalta-se ainda o caráter cosmopolítico revelado pelas discussões mencionadas. Compreendeu-se que a cidade, por meio de suas camadas, pode ser composta por alguns campos cosmopolíticos que evidenciam a presença de forças e de seres diversos, entre o humano e o não humano. Dessa forma, como resultado deste processo, o trabalho busca tornar estes campos cosmopolíticos visíveis, de forma imagética, através de um levantamento fotográfico e de um novo mapa para o hipercentro de Belo Horizonte - Minas Gerais.