Inoculação de microrganismos como aceleradores no processo de compostagem de resíduos sólidos agroindustriais

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O Brasil é apontado como um dos países com maior potencial de produção agrícola do mundo, porém, é o quarto maior consumidor mundial de nutrientes para formulação de fertilizantes minerais. Ao mesmo tempo as projeções apontam o aumento da demanda por alimentos e o crescimento do setor agroindustrial, como consequência havendo também o aumento da geração de resíduos e a pressão sobre os recursos naturais. A compostagem surge como uma estratégia interessante para o tratamento e aproveitamento destes resíduos, pois permite transformá-los em composto orgânico capaz de melhorar a qualidade do solo e reduzir a utilização dos fertilizantes minerais, no entanto trata-se de um processo demorado, que pode levar até 180 dias, dependendo da matéria prima utilizada e do controle operacional. Uma vez que a inoculação de microrganismos pode intensificar o processo de degradação, o presente estudo teve como objetivo produzir um inóculo de microrganismos e avaliar a sua eficiência na aceleração do processo de compostagem de resíduos sólidos orgânicos agroindustriais. Os resíduos sólidos utilizados foram: lodo da estação de tratamento de efluentes de indústria de cerveja, chips de batata e milho e laticínio, resíduo ruminal bovino e película prateada de café. O trabalho foi desenvolvido na usina de compostagem Biocomp situada no município de Papagaios, MG, no período de fevereiro a agosto de 2017. O inóculo de microrganismos foi preparado com base no método de captura de microrganismos eficazes (EM). Para tanto, como substrato de captura dos microrganismos foi utilizado 3 Kg de arroz cozido em água sem sal e deixado por 10 dias na mata próxima ao pátio de compostagem, em seguida foi transferido para um reator aeróbio montado em uma caixa d’água de 3.000 litros onde foi instalado um sistema de recirculação com bomba. Como meio de cultivo para os microrganismos foi utilizado melaço de cana-de-açúcar em pó e fertilizante orgânico foliar fluido. No procedimento de montagem das leiras, a mistura inicial de resíduos agroindustriais apresentou relação C/N 19 e umidade de 66,8%. Foram utilizados 2 tratamentos com 5 repetições, sendo o tratamento A sem adição de inóculo de microrganismos e o tratamento B com adição de inóculo de microrganismos. Durante o processo de compostagem foram monitorados os parâmetros físico-químicos: temperatura, umidade, pH, condutividade elétrica, nitrogênio total, carbono orgânico total e relação C/N. Para confirmar a ausência de fitotoxicidade dos compostos orgânicos foram realizados testes de germinação com alface mimosa (Lactuta sativa). Os dados coletados foram submetidos a testes estatísticos não-paramétricos que permitiram comparar os valores medianos dos tratamentos ao nível de 5% de significância. Para verificar o efeito dos dias de compostagem e do tipo de tratamento sobre a temperatura foi utilizada uma regressão linear multivariada com erros padrões robustos. Comprovou-se que o inóculo de microrganismos promoveu uma maior atividade biológica ao processo de compostagem aumentando a temperatura e o pH, com redução mais rápida da temperatura. Para os demais parâmetros observados, não houve diferença estatística significativa entre os tratamentos, indicando que o tratamento B produziu composto orgânico com qualidades similares ao tratamento A, porém com 46% a menos de tempo. O índice de germinação (GI) > 80%, indicou a ausência de susbtâncias fitotóxicas que inibem a germinação e o crescimento das plantas aos 65 dias de compostagem.


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