Sons do conflito: música popular, patrimônio e as fronteiras invisíveis da Praça Tiradentes
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Resumo
Este artigo analisa as dinâmicas de uso e apropriação da Praça Tiradentes em Ouro Preto, examinando como as políticas de patrimonialização e gestão cultural reproduzem desigualdades no acesso ao espaço público. Em dois estudos de caso - o cancelamento do show de Dilsinho (2023) e a superlotação no show de Alceu Valença (2025) -, demonstramos como a praça opera sob uma lógica hierárquica que privilegia certas expressões culturais em detrimento de outras, argumentamos que essa distinção reflete e reforça desigualdades sociais, transformando o patrimônio histórico em arena de conflitos simbólicos. A análise revela três dimensões de valor em tensão: (1) simbólica, onde a praça é disputada entre monumento e espaço vivo; (2) econômica, marcada pela priorização do turismo em detrimento dos moradores; e (3) social, evidenciando o enfraquecimento dos vínculos afetivos da comunidade com seu próprio patrimônio.
