Efeitos do jejum alimentar sobre o pH bucal em equinos
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Resumo
O jejum alimentar é uma prática rotineiramente empregada na medicina de equinos, especialmente antes de procedimentos anestésicos e cirúrgicos, bem como em situações de transporte. Em seres humanos, estudos realizados durante o jejum intermitente do Ramadã demonstram que a restrição alimentar pode promover alterações na saliva, incluindo modificações no fluxo salivar e no pH bucal. Entretanto, em equinos, os efeitos do jejum sobre a fisiologia da cavidade oral permanecem pouco esclarecidos. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar as alterações promovidas por 12 horas de jejum alimentar sobre o pH bucal de equinos. O experimento foi conduzido no Setor de Equideocultura do Instituto Federal de Minas Gerais – Campus Bambuí, utilizando dez equinos pertencentes ao setor de Equoterapia. Adotou-se delineamento experimental do tipo cross-over, composto pelos grupos Controle (GC) e Jejum (GJ), no qual todos os animais participaram de ambos os tratamentos, com intervalo mínimo de 15 dias entre as etapas experimentais. As avaliações foram realizadas no momento basal (MB) e após 12 horas (M12), nos animais do grupo sob restrição alimentar (GJ) ou GC, por meio da mensuração do pH salivar com pHmetro digital portátil. Os dados foram submetidos ao teste de normalidade de Shapiro-Wilk e analisados pelo teste t pareado, adotando-se nível de significância de 5% (P ≤ 0,05). Não foram observadas diferenças entre os grupos no momento basal. O GC não apresentou alterações significativas entre os momentos experimentais (P = 0,449). Em contrapartida, os equinos do GJ apresentaram aumento significativo do pH bucal após 12 horas de restrição alimentar, elevando-se de 7,65 ± 0,92 para 8,34 ± 0,17 (P = 0,044). No momento M12, o GJ apresentou pH bucal significativamente superior ao GC (P = 0,021). Conclui-se que o jejum alimentar de 12 horas promoveu alcalinização do pH bucal dos equinos avaliados, indicando que a restrição alimentar interfere na fisiologia da cavidade oral. Esses achados ampliam o conhecimento sobre os efeitos do jejum na espécie equina e fornecem subsídios para futuras investigações sobre suas implicações para a saúde bucal.
