A Rua Sapucaí como vitrine de uma nova expressão de centralidade noturna BeloHorizontina
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Resumo
O presente trabalho investigou a Rua Sapucaí, no Bairro Floresta, em Belo Horizonte, vista como uma centralidade urbana noturna emergente, verificando de qual maneira a requalificação promovida pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) colaborou para a consolidação desse papel. Parte-se da ideia teórica de que a centralidade urbana resulta pela concentração de fixos e fluxos, além de processos de apropriação social e de uma construção simbólica do espaço e dialoga com autores como Lefebvre, Corrêa, Milton Santos, Harvey, Zukin e Smith. As etapas metodológicas consistiram em levantamento bibliográfico e documental, observação sistemática em campo, possibilitando analisar o perfil do público, as formas de uso do espaço público e a variação do fluxo de pessoas por dia e turno e uma análise digital de dados, coletados via Google Mapas e Instagram, o que permitiu classificar os estabelecimentos da via. Os resultados indicam que a Rua Sapucaí, como centralidade, não foi criada pela requalificação municipal, mas potencializada e formalizada por ela, além de ter sido submetida a processos de transformação espacial. A pesquisa mostra que a rua se consolidou como um espaço de lazer, sociabilidade e consumo noturno ao longo da última década a partir do uso cotidiano dos seus frequentadores, ao mesmo tempo que relata sinais graduais de seletividade socioespacial, processos já vistos antes na centralidade da Savassi. Conclui-se, então, que a observação empírica, juntamente as análises digitais, configura-se como uma chave metodológica para a compreensão para os estudos das centralidades noturnas, tema este, ainda pouco discutido pela geografia urbana brasileira. A Rua Sapucaí se configura hoje como um campo de disputa entre o valor de uso e valor de troca no espaço urbano.
