Espécies do cerrado ameaçadas de extinção com potencial para arborização urbana
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Mestra Érika Soares Reis
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Resumo
A crescente demanda por soluções sustentáveis nas cidades brasileiras tem impulsionado a busca por alternativas de arborização urbana que conciliem funcionalidade, estética e conservação ambiental. Nesse contexto, o presente estudo investigou o potencial de espécies arbóreas nativas do Cerrado, ameaçadas de extinção, para uso em projetos de arborização urbana. A pesquisa foi conduzida por meio de levantamento bibliográfico em bases científicas, repositórios institucionais e documentos técnicos, resultando na seleção de 14 espécies classificadas como vulneráveis (VU) ou em perigo (EN) pela Portaria MMA nº 443/2014, e que apresentam características morfológicas, ecológicas e funcionais compatíveis com o ambiente urbano. Entre os critérios de seleção das espécies, destacam-se atributos como raízes profundas e não agressivas, resistência à seca, porte compatível com áreas urbanas, valor ornamental, frutificação atrativa para a fauna, e baixa exigência de manejo. Espécies como Salacia crassifolia (Bacupari-do-cerrado), Tabebuia aurea (Ipê-amarelo) e Dalbergia miscolobium (Jacarandá-do-cerrado) se sobressaem por sua combinação entre beleza paisagística, rusticidade e serviços ecossistêmicos urbanos. Além disso, a inclusão de árvores com valor cultural e medicinal, como Pterodon emarginatus (Sucupira) e Virola sebifera (Ucuúba), amplia o alcance funcional da arborização ao integrar conservação e cultura local. A utilização dessas espécies em áreas urbanas também representa uma estratégia relevante de conservação ex situ, pois contribui para a manutenção do material genético de espécies ameaçadas em ambientes alterados, ao mesmo tempo em que promove a resiliência ecológica das cidades. Por estarem adaptadas às condições edafoclimáticas do Cerrado, essas árvores demandam menos irrigação, manejo químico e intervenção técnica, favorecendo a sustentabilidade dos projetos urbanos. No entanto, diversos entraves ainda limitam a adoção ampla dessa estratégia. Entre eles, destacam-se a escassez de informações técnicas sobre germinação, crescimento e comportamento dessas espécies em áreas urbanas, a baixa disponibilidade de mudas no mercado e a falta de políticas públicas que incentivem o uso planejado da flora nativa em ambientes urbanos. A ausência de integração entre os setores de planejamento ambiental e urbano também dificulta a implementação de ações articuladas para a arborização com espécies nativas. Diante disso, o estudo reforça a necessidade de investimentos em pesquisa aplicada, capacitação técnica e políticas públicas que incentivem a inserção de espécies do Cerrado na paisagem urbana. Ao propor a adoção de critérios ecológicos e conservacionistas na seleção de espécies arbóreas, a pesquisa destaca o Cerrado como uma fonte promissora de soluções sustentáveis para os desafios urbanos contemporâneos. Assim, a arborização urbana com espécies nativas ameaçadas desponta como uma ação estratégica para unir preservação da biodiversidade, valorização do bioma Cerrado e promoção do bem-estar nas cidades brasileiras
