Afroempreendedorismo feminino: análise do comportamento de consumo e das demandas para abertura de um salão especializado em cabelos afro em Ouro Branco - MG
Data
Autor(es)
Orientado(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
Este estudo tem como objetivo geral analisar o comportamento de consumo e as demandas relacionadas à abertura de um salão especializado em cabelos afro na cidade de Ouro Branco–MG, articulando os campos do empreendedorismo feminino, do afroempreendedorismo e da valorização da estética negra. A pesquisa caracteriza-se como aplicada, de abordagem qualitativa, utilizando entrevistas semiestruturadas realizadas com mulheres negras de cabelos afro residentes no município. As participantes são identificadas por códigos alfanuméricos, de modo a preservar sua confidencialidade, aplicou-se análise de conteúdo como técnica de análise de dados. Os resultados evidenciaram aspectos determinantes na escolha por salões afro, tais como: acolhimento, representatividade, domínio técnico, segurança e sensibilidade cultural relacionada à negritude. Os resultados indicaram a escassez na oferta de serviços especializados a cabelos afro, o que leva muitas mulheres a recorrerem ao autocuidado capilar ou ao deslocamento para outras cidades em busca de atendimento especializado. Nas entrevistas, verificou-se que atributos identitários, simbólicos e emocionais, associados à especialização técnica, influenciam diretamente o comportamento de consumo dessas mulheres. Inclusive, a análise do composto de marketing apresentou oportunidades relevantes de negócio, especialmente diante da baixa oferta local de serviços voltados às especificidades dos cabelos afro, da disposição das consumidoras em pagar por atendimentos especializados, bem como da valorização de espaços que promovam pertencimento e reconhecimento cultural. Conclui-se que abertura de um salão especializado em cabelos afro no município mostra-se pertinente diante das experiências e desafios vivenciados pelas entrevistadas e da centralidade dos cabelos afro na construção da identidade e da representatividade negra. Ademais, foi evidenciado que tais espaços ultrapassam a dimensão do serviço estético, constituindo-se como territórios de acolhimento, reconhecimento, afirmação cultural, e resistência, em que técnica, afeto e pertencimento são práticas de enfrentamento ao racismo. Dessa forma, o salão afro emerge não apenas como empreendimento, mas como espaço simbólico e político capaz de fortalecer a autoestima e a autonomia de mulheres negras. Sugere-se, para estudos futuros, a realização de pesquisas quantitativas que ampliem o diagnóstico de mercado e subsidiem estratégias de implementação do empreendimento.
