Medidas estruturais autoeleváveis na mitigação de riscos hidrológicos: o caso rio doce (Governador Valadares/MG)
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Resumo
O Município de Governador Valadares (MG) sofre historicamente com inundações severas do Rio Doce, resultando em expressivos danos socioeconômicos. Atualmente, a gestão de desastres hidrológicos baseia-se predominantemente em medidas não estruturais, como sistemas de alerta. Visando suprir a necessidade de intervenções físicas que preservem a conectividade e a paisagem urbana, este estudo analisa a viabilidade técnica, hidráulica e estrutural da implementação de barreiras autoeleváveis (Self-Closing Flood Barriers - SCFB) no trecho ribeirinho da cidade. A metodologia englobou modelagem hidrodinâmica (1D) no HECRAS para simular cenários e cotas de proteção em Tempos de Retorno (TR) de 2 a 50 anos. Avaliou-se também a estabilidade estrutural preliminar sob esforços hidrostáticos, fundamentando-se nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e do U.S. Army Corps of Engineers (USACE). Os resultados demonstram que barreiras com 1,60 m de altura apresentam desempenho satisfatório para eventos frequentes (TR 2 e 5 anos). No cenário crítico de 50 anos, a simulação indicou um potencial de proteção direta de 81 hectares, que pode ser ampliado para até 432 hectares mediante adequação altimétrica e integração com sistemas de microdrenagem. A verificação estrutural indicou, em caráter preliminar, atendimento aos critérios considerados para o mecanismo de acionamento passivo por empuxo e para resistência aos carregamentos. Conclui-se que a adoção das barreiras SCFB apresenta viabilidade técnica preliminar, demonstrando potencial para a redução de prejuízos locais. Contudo, sua eficácia plena exige a atuação sistêmica com a rede de drenagem municipal, por meio de estações de bombeamento e válvulas antirrefluxo, para evitar alagamentos internos.
