A atividade minerária: evolução temporal do uso e cobertura da terra no distrito de Miguel Burnier em Ouro Preto, MG.
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Resumo
O presente estudo analisa as transformações espaciais associadas à atividade minerária no distrito de Miguel Burnier, no município de Ouro Preto, em um contexto marcado pela transição econômica local, retração da agropecuária tradicional e crescente centralidade da mineração na arrecadação municipal. O objetivo consistiu em compreender a dinâmica de uso e cobertura da terra entre 1985 e 2023, quantificando perdas e ganhos entre classes e avaliando as implicações territoriais, ambientais e econômicas dessas mudanças. A metodologia adotou dados do Projeto MapBiomas (Coleção 8) para os anos de 1985, 1995, 2005, 2015 e 2023, com posterior reclassificação das classes originais em cinco classes: Formação Florestal, Formação Campestre, Agropecuária, Mineração e Água. A partir dessa padronização, elaborou-se matriz de transição para o período 1985–2023, permitindo identificar permanências, conversões e fluxos entre classes, bem como calcular variações absolutas e relativas de área. A análise integrou abordagem quantitativa da paisagem com interpretação territorial orientada pela dinâmica econômica municipal e pelo arcabouço normativo ambiental vigente. Os resultados evidenciaram a expansão significativa da classe Mineração (116,90%), consolidando-a como vetor estruturante da reorganização espacial, ao mesmo tempo em que registraram retração expressiva da Agropecuária (45,11%), com baixa permanência na matriz de transição e conversão tanto para áreas mineradas quanto para formações naturais em regeneração. Observou-se relativa estabilidade e, em determinados períodos, incremento das classes de Formação Florestal e Campestre, associado principalmente ao “abandono” de áreas produtivas e à regeneração secundária. A classe Água apresentou redução (35,83%), indicando alterações na superfície hídrica relacionadas à dinâmica minerária e à reconfiguração de estruturas associadas. O balanço geral revelou coexistência de dois processos contrastantes: regeneração passiva decorrente da perda de viabilidade econômica da agropecuária familiar e expansão extrativa com elevada irreversibilidade territorial. Observa-se que a paisagem de Miguel Burnier passou por reestruturação funcional e econômica, na qual a atividade minerária assumiu papel central, redefinindo padrões de uso do solo e intensificando a dependência fiscal do município em relação à exploração mineral. O estudo demonstra que a análise multitemporal da paisagem constitui instrumento estratégico para monitoramento de atividades minerárias de médio e grande porte, fornecendo base técnica para planejamento territorial e definição de estratégias de recuperação ambiental, ao mesmo tempo em que subsidia reflexões sobre sustentabilidade fiscal, segurança hídrica e conservação de serviços ecossistêmicos em contextos de forte pressão extrativa.
