Proposta científica teórica para o isolamento, caracterização e aplicação de células-tronco mesenquimais derivadas da urina (USCs) na terapia regenerativa da doença renal crônica felina
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Resumo
A doença renal crônica figura entre as enfermidades mais prevalentes em felinos domésticos idosos e permanece sem terapêutica capaz de promover reparo do parênquima renal, o que tem estimulado a investigação de estratégias baseadas em células-tronco mesenquimais. Neste cenário, as células-tronco mesenquimais derivadas da urina (Urine-Derived Stem Cells – USCs) despontam como fonte de interesse ainda pouco explorada em medicina felina. O presente estudo teve como objetivo analisar criticamente se as evidências científicas atuais sustentam as USCs como fonte teoricamente mais adequada, viável e biologicamente coerente do que as fontes tradicionais para o isolamento, a caracterização e a futura aplicação terapêutica nessa enfermidade, e propor, a partir dessa análise, um protocolo laboratorial integrado. Adotou-se abordagem teórico-propositiva, conduzida por meio de revisão da literatura científica contemporânea publicada entre 2015 e 2026, consultada em bases nacionais e internacionais, com critérios de inclusão e exclusão previamente definidos e extração dos dados em matriz temática comparativa. A análise evidenciou a mudança do paradigma baseado na diferenciação celular para o predomínio da modulação biológica mediada pelo secretoma e pelas vesículas extracelulares, e demonstrou que a origem tecidual condiciona o repertório de mediadores liberados. Foram identificadas limitações das fontes convencionais, como medula óssea, tecido adiposo e tecidos perinatais, especialmente quanto à invasividade da coleta, à heterogeneidade biológica e às dificuldades de padronização. As USCs destacaram-se pela obtenção minimamente invasiva, pela possibilidade de coleta seriada e criopreservação e pela potencial afinidade biológica com o sistema nefrourológico, associada à expressão elevada de α-Klotho, proteína cuja redução acompanha a progressão da nefropatia. Foram discutidos os principais mecanismos propostos para sua atuação na doença renal crônica, incluindo modulação imunológica, atividade parácrina, preservação tubular, proteção microvascular e atenuação da fibrose renal. Constatou-se, ainda, a inexistência de estudos que tenham isolado ou caracterizado USCs na espécie felina. A partir do confronto entre os parâmetros divergentes descritos na literatura, elaborou-se um protocolo operacional que classifica cada decisão técnica quanto ao grau de sustentação disponível, distinguindo o que pode ser extrapolado de protocolos humanos, o que exigiu adaptação à espécie e o que permanece dependente de validação experimental. Concluiu-se que existe plausibilidade biológica suficiente para justificar a investigação experimental das USCs na doença renal crônica felina, sem que as evidências atuais permitam afirmar eficácia ou segurança, razão pela qual a proposta se apresenta como hipótese cientificamente fundamentada e não como terapia validada.
