A tática do deslize: O skate como arte de criação do espaço
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Resumo
A pesquisa posiciona o skatista como praticante e inventor de uma nova experiência do espaço. Neste caso, a abordagem trata do skatista de rua sob uma ótica diferente de um lazer circunscrito, o skate de rua depende da imprevisibilidade, do acesso livre ao espaço público e principalmente da arquitetura não planejada estritamente para prática do skate. A cidade, portanto, sob está ótica não é apenas um cenário, mas a ferramenta e o ambiente essencial para o skatista. O estudo traça o percurso temporal da prática, investigando a relação entre corpo, objeto e os espaços, até a consolidação do street skate como uma prática inteiramente urbana e dependente da infraestrutura da cidade. Posteriormente a esta investigação. a pesquisa analisa a cidade sobre a perspectiva do praticante, dissecando como o skatista enxerga e reinterpreta o espaço urbano através de uma ótica arquitetônica, desenvolvendo seus metodos próprios de leitura da metrópole. O skatista mapeia a cidade em uma busca incessante por novos locais, e traduz esta busca na realização de sua prática, inventando um novo fluxo de entendimento da cidade. Além disso, e em sua fase final, é evidenciado como se dá a formação e consolidação de pontos nodais da cidade que treanscendem a arquitetura para atuar como locais de encontro e sociabilidade, atráves destes grupos de participantes da cultura. Portanto, este trabalho argumentará que o que denominaremos como 'tática do deslize' é um ato de resistência dupla: é a defesa de uma prática e, simultaneamente, a preservação do espaço público como território de invenção social e encontro coletivo. A pesquisa visa evidenciar que praticar e skatear na rua é, fundamental para manutenção de uma cultura viva, não domesticada. Ao mesmo tempo, compreende-se que o skate não deixa de participar de lógicas que ele parece contradizer, e nesse sentido, o estudo pretende abordar o skate como uma prática que opera na interseção entre o tático e o estratégico, pautados nos conceitos de Michel de Certeau e Henri Lefebvre revelando a complexidade das relações entre corpo, espaço, objeto e evidenciando como o espaço urbano é continuamente reconfigurado por práticas ordinárias que, ao mesmo tempo em que são suscetíveis à captura, mantêm aberta a possibilidade de criação.
