Potencial de aplicação no solo e aproveitamento agrícola de biossólidos de esgoto sanitário

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O uso de biossólidos, resíduos provenientes de estações de tratamento de esgoto e da agroindústria, tem se destacado como uma estratégia sustentável para a melhoria da fertilidade do solo, aumento da produtividade agrícola e promoção da economia circular. O presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da aplicação de biossólidos Classe II, provenientes da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Nova Serrana–MG, sobre as propriedades químicas e físicas de um Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico, bem como sobre o desenvolvimento inicial da cultura do milho, considerando diferentes doses de aplicação e distintos períodos de incubação do resíduo no solo. A pesquisa foi conduzida por meio de Revisão Sistemática de Literatura e experimentos de campo, com aplicação de doses de biossólidos ao solo e um bioensaio com as doses propostas com correção do solo. Foram avaliados parâmetros como matéria orgânica, carbono orgânico, capacidade de troca catiônica (CTC), crescimento inicial, biomassa acumulada e alocação de nutrientes nas plantas. Evidenciou-se que a aplicação de biossólidos promove melhorias na qualidade do solo, incluindo incremento de matéria orgânica, carbono estável, capacidade de retenção hídrica e fertilidade. Além disso, contribui para a mitigação das mudanças climáticas e recuperação de áreas degradadas. Ressaltou-se a necessidade de monitoramento de contaminantes, como metais pesados, e de avaliação de longo prazo para garantir segurança ambiental e sustentabilidade econômica. Os resultados experimentais indicaram respostas positivas de matéria orgânica e carbono orgânico às doses agronômicas aplicadas, com efeito máximo significativo estatisticamente entre 100 e 150 t ha⁻¹. A CTC aumentou significativamente o acúmulo, especialmente para Ca²⁺, Mg²⁺ e K⁺, mostrando desde a correção inicial até sua estabilização. A faixa de aplicação com dose agronômica entre 80-120 t ha⁻¹ foi identificada como dose que maximiza o valor da variável do ponto de vista estatístico. A aplicação de biossólidos impactou positivamente, aumentando o crescimento radicular, a biomassa acumulada e a relação raiz/parte aérea. Doses intermediárias (20-40 t ha⁻¹), combinadas com correção do solo, apresentaram os melhores resultados, significativos estatisticamente, enquanto doses elevadas, acima de 120 t ha⁻¹, sem correção, provocaram efeitos agronômicos fitotóxicos. Observou-se aumento do carbono orgânico, que é um indicativo ambiental e agronômico do manejo adequado de biossólidos. Em síntese, o estudo confirma que os biossólidos podem ser aplicados de maneira segura e eficiente em sistemas agrícolas, promovendo ganhos agronômicos, benefícios ambientais e contribuição para a sustentabilidade, desde que respeitadas as doses recomendadas, monitorados contaminantes e consideradas as características locais do solo e clima.


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