Extração de fibras insolúveis do resíduo farelo de trigo.

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A geração de resíduos e subprodutos é inerente a qualquer setor produtivo. Os setores agroindustriais produzem grandes quantidades de resíduos, os quais podem apresentar elevados problemas de disposição final e potencial poder poluente, além de representarem, muitas vezes, perdas de biomassa e de nutrientes de alto valor. Dentre as cadeias agroindustriais, a cadeia de processamento de trigo se enaltece por tratar do cereal com o maior volume de produção mundial e que gera volumes expressivos (23%) de resíduo (farelo de trigo), representando um grande problema para as indústrias moageiras. O farelo de trigo consiste em um recurso alimentar renovável e pouco explorado, apesar de se apresentar como uma das fontes mais ricas de fibras, principalmente fibras insolúveis. As fibras alimentares apresentam diversos benefícios à saúde humana, sendo considerada como componente funcional, agindo na prevenção de diversas doenças. As indústrias alimentícias, atentas ao cenário, estão desenvolvendo diversos produtos enriquecidos com fibras, visando atender à demanda crescente de indivíduos interessados em uma alimentação mais saudável. No entanto, as fibras isoladas possuem um alto custo e seu fornecimento, atualmente, é restrito por empresas internacionais. Diante deste contexto, o objetivo do trabalho é desenvolver ou aprimorar uma metodologia de extração de fibras insolúveis do farelo de trigo, sendo aplicáveis as indústrias moageiras de trigo, assim como obter um novo produto com maior valor agregado, as fibras insolúveis disponíveis para comercialização e utilização nas indústrias de alimentos. Este trabalho foi subdividido em três etapas: 1) revisão bibliográfica sistemática, 2) caracterização físico-química de diferentes farelos de trigo e 3) experimentação de diferentes metodologias de extração de fibras insolúveis. Na experimentação de diferentes métodos de extração, o primeiro experimento preliminar (EP-I) variou o conteúdo da solução aquosa de extração entre ácidos e bases. Determinada a solução aquosa ideal, o experimento preliminar II (EP-II) utilizou-se do delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 3x2 com 3 diferentes temperaturas e com os tempos de 20 e 30 minutos. Com solução aquosa e binômio tempo/temperatura determinados realizou-se o experimento preliminar III (EP-III), o qual trabalhou a etapa de purificação da solução extraída, variando entre o sistema de ultrafiltração e de carvão ativado. Com três experimentos preliminares realizados, o experimento extrativo se baseou na etapa principal do processo, que é propriamente a fase de extração, onde se variou entre tratamentos enzimáticos, físicos e mistos. Como resultado encontrou-se dez patentes relacionadas ao processo de extração de fibras, das quais nove tratam da extração enzimática e apenas uma da extração por meio físico. As amostras de farelo de trigo analisadas apresentaram teores de fibras insolúveis entre 39,9 - 44,1%, sendo a amostra M3 a que apresentou maior teor (44,1%). Entre os processos de extração o que obteve melhores resultados foi o E1 – tratamento físico, com 12,3% de fibras insolúveis nas amostras M1 e M2. O processo de extração por tratamento físico apresentou rendimento médio de aproximadamente 29%. O produto obtido foi uma solução aquosa de fibras, podendo a mesma ser submetida ou não ao processo de secagem. Portanto, a metodologia de extração de fibras proposta por este trabalho se resumiu em: remoção das impurezas com álcool etílico; extração em solução aquosa com água pura; extração em autoclave com temperatura e tempo mínimos de 174°C e 20 minutos, respectivamente; centrifugação; purificação com membrana de ultrafiltração ou osmose reversa; clareamento e secagem.


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