Avaliação formativa e metacognição: contribuições e limites para a autorregulação da aprendizagem

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo analisar, à luz da literatura educacional, a relação entre a avaliação formativa e o desenvolvimento da metacognição e da autorregulação da aprendizagem no processo de ensino-aprendizagem, considerando suas contribuições e limites. Parte-se do seguinte problema de pesquisa: em que medida a avaliação formativa pode contribuir para o desenvolvimento da metacognição e da autorregulação da aprendizagem? Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e caráter exploratório, realizada a partir do levantamento e da análise de produções acadêmicas disponíveis nas bases SciELO, ERIC e Google Acadêmico. A discussão articula os referenciais de Perrenoud, Black e Wiliam, Hattie e Timperley, no campo da avaliação formativa, aos de Flavell, Vygotsky, Brown e Zimmerman, no campo da metacognição e da autorregulação da aprendizagem. A literatura analisada indica que a avaliação formativa, quando estruturada em torno de feedback qualitativo, autoavaliação, avaliação entre pares e critérios de aprendizagem explícitos, pode favorecer o desenvolvimento de processos metacognitivos e autorregulatórios. Entretanto, essa contribuição não ocorre de forma automática, estando condicionada a fatores pedagógicos, institucionais e culturais, especialmente à superação da centralidade da nota e ao uso intencional das evidências de aprendizagem. Conclui-se que a avaliação formativa apresenta potencial para contribuir para o desenvolvimento metacognitivo e autorregulatório, embora sua efetividade dependa da intencionalidade pedagógica, da qualidade das estratégias avaliativas e das condições em que são implementadas. Recomenda-se que estudos futuros investiguem empiricamente essa relação em diferentes contextos educacionais.


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