ANÁLISE DE VIABILIDADE ECONÔMICA DA SUBSTITUIÇÃO DE UMA FROTA CORPORATIVA A COMBUSTÃO POR UMA FROTA ELÉTRICA COM RECARGA PROVENIENTE DE ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA

Data

Autor(es)

Orientado(es)
Amorim, William Caires Silva

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Resumo

Nas últimas décadas, o setor de transportes tem sido responsável por parcela significativa das emissões globais de gases de efeito estufa, impulsionado pelo uso intensivo de combustíveis fósseis. No Brasil essa realidade também se repete, e em 2023, o transporte respondeu por 44% das emissões relacionadas à energia e processos industriais, alcançando um recorde histórico no consumo de diesel e gasolina (SEEG, 2024). Esse cenário evidencia a necessidade urgente de transição para alternativas mais limpas, capazes de conciliar crescimento econômico, redução de impactos ambientais e atendimento às novas exigências de mercado. Nesse contexto, os veículos elétricos têm se consolidado como alternativa promissora para reduzir a dependência de combustíveis fósseis (IEA, 2023), especialmente quando associados a fontes renováveis, como a energia solar fotovoltaica, que apresenta elevado potencial no Brasil (Pereira et al., 2017). Este trabalho tem como objetivo analisar a viabilidade técnica e econômica da substituição da frota de veículos a combustão de uma empresa fictícia por modelos elétricos, considerando o abastecimento integral por meio de um sistema fotovoltaico dedicado. A metodologia incluiu o levantamento do perfil atual da frota, consumo mensal de combustível, emissão de CO₂ associada e custos operacionais. Com base nesses dados, foram selecionados modelos equivalentes de veículos elétricos e projetado um sistema de geração fotovoltaica para atender integralmente a demanda energética da nova frota, incluindo o número de pontos de recarga necessários. Foram considerados fatores como autonomia dos veículos, perfil de uso diário, eficiência dos carregadores e irradiação solar local. A análise de viabilidade foi conduzida por meio da metodologia multi-índice que utiliza indicadores econômicos clássicos, como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e Payback. Os resultados demonstraram que, apesar dos benefícios ambientais e da redução anual estimada de aproximadamente 37,6 toneladas de CO₂, e da redução de 80% do custo por quilometro, ao analisar os indicadores da metodologia multi-indice o projeto não se mostrou economicamente viável nas condições atuais. O principal fator para a inviabilidade foi o alto investimento inicial, calculado em R$ 2,27 milhões, sendo que cerca de 94% desse montante corresponde ao custo de aquisição dos veículos elétricos, ainda elevado no mercado brasileiro. Na análise econômica do cenário base, o VPL resultou em –R$ 1 milhão, o TIR obtido foi apenas 3,78% evidenciando retorno insuficiente frente à TMA adotada (9,47% ao ano). Entretanto, análises complementares realizadas a partir de um cenário alternativo envolvendo a aquisição de veículos elétricos seminovos, evidenciando que o projeto pode tornar-se viável sob condições específicas. Conclui-se que a integração entre mobilidade elétrica e energia solar representa uma solução estratégica para empresas que desejam alinhar seus valores aos princípios ESG (ambiental, social e de governança, do inglês, environmental, social and governance), contudo, a viabilidade econômica ainda depende de políticas públicas, incentivos fiscais mais robustos e redução do custo de alguns modelos de veículos elétricos no Brasil.

Palavras-chave

Citação

Avaliação

Revisão

Suplementado Por

Referenciado Por