Rescrever com o Outro: a Alteridade no Processo de (re)escrita para o Ensino-aprendizagem de Produção Textual
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Resumo
Esta pesquisa investiga o ensino da produção textual escrita nos anos iniciais do Ensino Fundamental sob a compreensão do dialogismo e da interação inerentes a todo ato enunciativo, de modo a ressignificar a escrita como um processo em constante construção, buscando verificar qual é o lugar da alteridade dos estudantes na (re)escrita. Considerando que a linguagem se configura como prática social e que a (re)escrita envolve a atuação do sujeito na e pela interação, o objetivo geral consiste em compreender como o processo de (re)escrita pode ser potencializado pela perspectiva do outro no ensino-aprendizagem de produção textual. Especificamente, buscamos compreender o conceito de alteridade, destacando sua importância na compreensão da diferença e da subjetividade do outro; analisar a alteridade a partir das contribuições de Bakhtin e Paulo Freire evidenciando suas implicações para o campo educacional e propor uma Sequência Didática (SD) voltada à (re)escrita do gênero textual diário, que evidencie possibilidades do trabalho com a alteridade no contexto da sala de aula. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa com uma abordagem qualitativa de natureza descritiva, de cunho pedagógico bibliográfico, articulada sob a contribuições teóricas de Bakhtin e Paulo Freire. Como produto pedagógico, estruturamos uma Sequência Didática (SD) direcionada ao 5º ano do Ensino Fundamental, proposta em seis etapas: Leitura, Escrita, Leitura comentada, Reescrita, Avaliação e Publicação, respaldada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). As reflexões e a proposta pedagógica indicam que, ao assegurar condições reais de produção textual, a escrita supera a prática mecânica e assume um papel de produção de sentidos e posicionamentos no mundo. A imersão na obra de Quarto de Despejo: Diário de uma favelada de Carolina Maria de Jesus e a posterior produção escrita e reescrita dos diários permitem aos estudantes o exercício prático da alteridade. Ao serem provocados, por meio da leitura comentada com o professor e a família, por autoavaliações orais, bilhetes pedagógicos formativos e dialógicos, para repensar seus textos sob a ótica do outro, os estudantes rompem com a centralidade em si, por meio do olhar no outro. A proposta pedagógica transforma o ato de ensinar e aprender em um movimento emancipador e gerador de autonomia. Esse ciclo dialógico completa-se com a etapa de publicação digital. Ao utilizar as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) para criar e divulgar uma coletânea em PDF, não são apenas fortalecidos os multiletramentos e o letramento digital dos estudantes, mas também se estendem os laços com as famílias e se inserem o capital cultural dos estudantes no ambiente doméstico, nos termos de Bourdieu. A (re)escrita orientada pelo olhar do outro desloca a docência da centralidade e devolve ao estudante o seu direito à palavra.
